GEO, sigla em inglês para Generative Engine Optimization, é o trabalho para que uma marca seja citada nas respostas de ferramentas de IA como ChatGPT, Gemini e Copilot. Ele merece uma linha no orçamento de marketing de 2027 porque compradores já usam essas ferramentas para montar a lista de fornecedores, antes de falar com qualquer vendedor.
Por que GEO entrou no planejamento de 2027
A pesquisa mais recente da G2, plataforma americana em que empresas avaliam e comparam softwares, ouviu 1.076 compradores e decisores em março de 2026. Metade deles (51%) começa a pesquisa mais vezes num chatbot de IA do que no Google. Em 2025, eram 29%.
A mesma pesquisa mostra que aparecer na resposta pesa na escolha. Entre os entrevistados, 85% passam a ver um fornecedor com melhores olhos quando a IA o menciona, e 69% já trocaram o fornecedor que tinham em mente por outro recomendado por um chatbot.
Quando o vendedor entra em cena, a preferência costuma estar formada. O relatório de 2025 da 6sense, feito com mais de 4.000 compradores na América do Norte, na Europa e na Ásia-Pacífico, aponta que 94% dos grupos de compra já tinham uma ordem de fornecedores preferidos antes do primeiro contato. O relatório da 6sense também registra que 94% dos compradores usaram modelos de linguagem para resumir avaliações ou analisar dados durante a compra.
No Brasil, o comportamento aparece primeiro no consumo. A pesquisa Inteligência Artificial na Vida Real 2025, da Talk com a Tera e o Instituto Kunumi, indica que 40% dos consumidores usam ChatGPT, Gemini e ferramentas parecidas, todo dia ou toda semana, para pesquisar produtos antes de comprar.
Para o marketing, isso significa que parte da lista curta de fornecedores é montada numa conversa que a equipe não vê. A marca só entra nessa lista quando a IA a menciona.
O que é GEO
GEO é o conjunto de ações que aumenta as chances de uma marca ser citada como fonte ou recomendação em respostas geradas por IA. Em português, o termo também aparece como otimização para mecanismos generativos, otimização para IA ou SEO para IA.
O trabalho mexe no site da marca, no que outras fontes publicam sobre ela, como veículos de imprensa e sites de avaliação, e na coerência das informações sobre a empresa em todos esses lugares.
Qual a diferença entre GEO e SEO
SEO trabalha para que páginas apareçam entre os resultados do Google. GEO trabalha para que a marca apareça dentro do texto que a IA escreve. Um depende do outro. Na documentação para desenvolvedores atualizada em dezembro de 2025, o Google afirma que não há requisitos adicionais para aparecer nos AI Overviews ou no AI Mode além das boas práticas de SEO.
| SEO | GEO | |
|---|---|---|
| Objetivo | Posicionar páginas nos resultados do Google | Ser citada dentro da resposta escrita pela IA |
| Onde a marca aparece | Na lista de links | No texto da resposta e nas fontes citadas |
| Como se mede | Posição, tráfego orgânico e cliques | Presença num conjunto fixo de perguntas, menções da marca e fontes citadas |
| Base do trabalho | Site acessível e conteúdo relevante | O mesmo, mais imprensa e fontes de terceiros |
Um site que os robôs não conseguem ler, com títulos confusos e informação importante presa em imagens, dificilmente vira fonte de alguma resposta. Por isso GEO não substitui SEO.
Como descobrir se a sua marca aparece nas IAs
Dá para fazer um primeiro teste internamente, sem ferramenta paga.
- Liste dez perguntas que o seu comprador faz, do problema à escolha do fornecedor. Por exemplo: “como resolver [problema]?”, “quais empresas oferecem [serviço] no Brasil?” e “[sua marca] ou [concorrente]: qual escolher?”.
- Faça as mesmas perguntas no ChatGPT, no Gemini, no Copilot e no Perplexity.
- Anote quais marcas aparecem em cada resposta e quais fontes a IA cita.
- Pergunte diretamente sobre a sua marca e registre o que a IA descreve de forma errada ou desatualizada.
- Guarde tudo numa planilha e repita o teste todo mês, com as mesmas perguntas.
No fim, as perguntas se dividem em três grupos: as que citam a sua marca, as que não citam ninguém do seu mercado e as que citam um concorrente. Vale começar pelo terceiro grupo, porque ali a disputa já existe.
Quem preferir um levantamento feito por especialistas pode usar o diagnóstico gratuito de visibilidade em IA da CoWork, que mapeia em quais perguntas a marca aparece, em quais não aparece e quem ocupa o lugar dela.
O que leva uma IA a citar uma marca
Nenhuma empresa de IA divulga como escolhe as fontes. Os estudos publicados e a documentação do Google, porém, apontam para cinco fatores que o marketing consegue influenciar.
1. O que outras fontes publicam sobre a marca
A edição de maio de 2026 do estudo What Is AI Reading?, da Muck Rack, examinou mais de 25 milhões de links citados pelo ChatGPT, pelo Claude e pelo Gemini. Desses, 84% vinham de mídia conquistada, grupo que reúne jornalismo, pesquisa acadêmica, fontes governamentais, enciclopédias e conteúdo de outras empresas. Só o jornalismo respondeu por 27% dos links, enquanto conteúdo pago ficou em 0,3%.
Vimos esse efeito num cliente da CoWork do setor de tecnologia. Um potencial comprador contou, já no primeiro contato, que tinha pesquisado a empresa no Microsoft Copilot e encontrado bastante informação sobre ela. A resposta se apoiava em matérias de imprensa e em conteúdos que havíamos otimizado.
2. Respostas diretas no próprio site
Trechos que fazem sentido sozinhos são mais fáceis de citar. Ajuda quando a página responde à pergunta logo nas primeiras frases, define os termos que usa, traz dados com fonte e reúne as dúvidas comuns numa seção de perguntas frequentes.
3. A mesma descrição da empresa em todo lugar
Se o site diz uma coisa sobre o que a empresa faz e o LinkedIn diz outra, a IA tem mais dificuldade para ligar a marca ao tema certo. Vale revisar a descrição no site, no LinkedIn, em diretórios e no que os porta-vozes dizem em entrevistas.
4. Avaliações em sites especializados
Na pesquisa da G2, as citações de sites de avaliação de software foram o principal sinal de confiança que os compradores notaram nas respostas de chatbots. Como a G2 é um site de avaliações, ela tem interesse nesse resultado. O dado vai na mesma direção do estudo da Muck Rack: a IA dá peso ao que terceiros dizem. Perfis atualizados e com avaliações reais nesses sites contam a favor.
5. Um site legível para robôs
O Google recomenda liberar o rastreamento, usar links internos, manter o conteúdo importante em texto e garantir que os dados estruturados correspondam ao que está visível na página.
A vez da assessoria de imprensa
A CoWork Comunicação é uma agência boutique de comunicação que integra assessoria de imprensa, SEO e GEO pela metodologia CoDrive. Trabalho com comunicação corporativa há mais de 25 anos e, durante muito tempo, ouvi que o resultado de relações com a mídia era intangível. A matéria saía, a marca ganhava visibilidade, e ficava difícil mostrar o efeito no negócio.
A IA generativa mudou essa conversa. As ferramentas de IA recorrem a fontes externas para responder, principalmente a portais de referência e veículos com autoridade. Segundo o estudo da Muck Rack, o jornalismo responde por 27% de todos os links citados pelo ChatGPT, pelo Claude e pelo Gemini. Quando a assessoria constrói autoridade, cuida da reputação e posiciona os executivos em veículos que o público da marca lê, esse trabalho passa a aparecer onde o comprador pesquisa.
Na CoWork, partimos de uma convicção: não existe pauta difícil, existe pauta mal planejada. Começamos entendendo o cenário da empresa e do setor, buscamos a informação que tem valor jornalístico, estreitamos o relacionamento com a mídia e procuramos entender o que cada jornalista precisa, para levar a ele a informação do jeito certo. O resultado são matérias em veículos tier 1, os de maior alcance e credibilidade em cada setor.
Na NovaRed Brasil, empresa de cibersegurança, a assessoria de imprensa da CoWork resultou em mais de 350 matérias publicadas, com presença em Estadão, Valor Econômico e Exame. Em seis meses, o country manager da empresa recebeu o selo Top Voice do LinkedIn. O case completo está no site.
Como medir GEO
Os indicadores de GEO são diferentes dos de SEO e precisam ser acompanhados todo mês, sempre com o mesmo método.
- Presença num conjunto fixo de perguntas: em quantas das perguntas do comprador a marca aparece, em cada IA.
- Menções da marca em respostas de IA: volume e evolução, medidos com ferramentas de monitoramento como o Semrush.
- Fontes citadas: quais páginas e veículos a IA usa quando fala da marca e dos concorrentes.
- Posição e tráfego orgânico no Google: a base continua sendo essa.
- Origem dos contatos: inclua a opção “IA (ChatGPT, Gemini, Copilot ou outra)” na pergunta “como nos conheceu?” do formulário. É o jeito mais simples de ligar presença em IA a oportunidades comerciais.
Um caso medido: da 24ª para a 5ª posição no Google
Uma multinacional de software atendida pela CoWork, cujo nome é confidencial, contratou SEO e GEO para o Brasil e o México. No Brasil, a empresa saiu da 24ª para a 5ª posição no Google na principal busca da sua categoria. No México, chegou ao primeiro lugar no termo equivalente em espanhol. A marca somou ainda 598 menções em respostas de IA no Brasil.
O trabalho incluiu a revisão de 263 conteúdos em três idiomas, estruturados para citação pelo ChatGPT, pelo Copilot e pelo Gemini. Os números vêm de relatórios do cliente no Semrush e no Adobe Analytics, de maio de 2025 a maio de 2026.
Como colocar GEO no orçamento de 2027
Antes de pensar em valor, vale definir o escopo com três perguntas:
- Em quantas perguntas do comprador a marca precisa aparecer?
- O site está pronto para ser lido por robôs de busca e de IA?
- A marca já tem presença na imprensa e em sites de terceiros, ou isso precisa ser construído?
As respostas transformam uma linha genérica de “IA” em entregas que podem ser acompanhadas mês a mês.
| Componente | O que inclui | Frequência |
|---|---|---|
| Diagnóstico de presença | Perguntas em que a marca aparece, em que não aparece e quem ocupa o lugar dela | No início, com acompanhamento mensal |
| Base técnica | Acesso dos robôs, títulos, estrutura das páginas e dados estruturados | Pontual, no início |
| Conteúdo para ranquear e ser citado | Páginas e posts com resposta direta, definições, dados próprios e perguntas frequentes | Mensal |
| Imprensa e porta-vozes | Os mesmos temas levados a jornalistas | Mensal |
| Medição | Presença em IA, posição e tráfego orgânico | Mensal |
Para levar o tema à diretoria, há dois argumentos. O primeiro é o custo de ficar de fora: se 94% dos grupos de compra chegam ao primeiro contato com uma preferência formada, como mostra a 6sense, a marca ausente da resposta da IA perde espaço antes de o time comercial entrar na conversa. O segundo é que presença em IA se mede todo mês, como qualquer outra linha do orçamento.
Fazer em casa ou contratar uma agência
Uma equipe interna dá conta de GEO quando reúne SEO técnico, produção de conteúdo, relacionamento com a imprensa e análise de dados. Se falta alguma dessas competências, a escolha é entre desenvolvê-la ou contratar quem já a tem.
Na hora de avaliar uma agência, estas perguntas ajudam:
- Vocês têm um caso com números, período e fonte da medição?
- Qual é a metodologia, etapa por etapa?
- Como medem a presença em IA, e com qual conjunto de perguntas?
- Trabalham imprensa e fontes de terceiros, ou só o site?
- O que entregam no primeiro mês e no terceiro?
- O que prometem? Desconfie de quem garante citação: nenhuma agência controla as fontes que cada IA escolhe.
A metodologia da CoWork se chama CoDrive e tem seis etapas:
- Diagnóstico de presença no Google e nas IAs.
- Base técnica do site.
- Mapa de temas que acompanha a jornada do comprador, do problema à escolha do fornecedor.
- Conteúdo pensado para ranquear e para ser citado.
- Autoridade fora do site, com os mesmos temas levados à imprensa e aos porta-vozes.
- Medição mensal e ajuste do plano.
O detalhe de cada etapa está na página de SEO e GEO.
Perguntas frequentes sobre GEO
GEO substitui o SEO?
Não. GEO depende de SEO. O Google afirma que não há requisitos adicionais para aparecer nos AI Overviews ou no AI Mode além das boas práticas de SEO. Um site acessível, bem estruturado e com conteúdo em texto é a base para a marca ser encontrada e citada, por isso as duas frentes devem ser planejadas juntas.
Uma agência pode garantir que o ChatGPT cite a minha marca?
Não, e é melhor desconfiar de quem garante. Cada IA escolhe as próprias fontes, e nenhuma agência controla esse processo. Um trabalho sério de GEO fortalece os sinais que essas ferramentas usam, como conteúdo com resposta direta e presença na imprensa, e mede todo mês em quantas perguntas do comprador a marca aparece.
Preciso de assessoria de imprensa para aparecer nas IAs?
Não é obrigatório, mas faz diferença. Na edição de maio de 2026 do estudo What Is AI Reading?, da Muck Rack, 84% dos links citados pelo ChatGPT, pelo Claude e pelo Gemini vinham de mídia conquistada, e o jornalismo respondia por 27% deles. Matérias sobre a marca e seus porta-vozes aumentam as chances de citação.
Preciso criar arquivos ou marcações especiais para as IAs?
Para o Google, não. A documentação da empresa diz que não são necessários novos arquivos legíveis por máquina, arquivos de texto específicos para IA nem marcação especial de schema.org para aparecer nos AI Overviews e no AI Mode. Basta a página estar indexada e apta a aparecer na busca com um trecho de texto.
Quais IAs devo acompanhar?
As que o seu comprador usa. Um bom começo é acompanhar ChatGPT, Gemini, Copilot e Perplexity, além dos AI Overviews e do AI Mode do Google. Perguntar a clientes atuais quais ferramentas usam para pesquisar fornecedores ajuda a ajustar essa lista.
Como saber se meus concorrentes aparecem nas IAs?
Faça ao ChatGPT, ao Gemini, ao Copilot e ao Perplexity as perguntas que o seu comprador faria sobre a categoria, sem citar marcas, e anote quais empresas aparecem e quais fontes a IA usa. Repetido todo mês com as mesmas perguntas, o teste mostra quem está ganhando espaço e em quais temas.
Para começar com dados da sua própria marca, o diagnóstico gratuito de visibilidade em IA da CoWork mostra em quais perguntas do seu comprador a marca aparece, em quais não aparece e quem ocupa o seu lugar.
Renata Soller é cofundadora da CoWork Comunicação e articulista da Fast Company Brasil.
Fontes
- G2, The Answer Economy: pesquisa com 1.076 compradores e decisores de software, feita em março de 2026 e publicada em abril de 2026.
- 6sense, 2025 B2B Buyer Experience Report: estudo com mais de 4.000 compradores, publicado em novembro de 2025.
- Muck Rack, What Is AI Reading?: edição de maio de 2026, com mais de 25 milhões de links citados por ChatGPT, Claude e Gemini.
- Google Search Central, AI features and your website: documentação atualizada em dezembro de 2025.
- Talk, Tera e Instituto Kunumi, Inteligência Artificial na Vida Real 2025: resultados divulgados em outubro de 2025.
- Casos da CoWork: relatórios de clientes no Semrush e no Adobe Analytics.

